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Princípios éticos

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Além da multiplicação dos constantes escândalos políticos, a falta da confiança dos investidores no País acaba de ser comprovada recentemente por uma pesquisa da Ernst & Young com 586 empresas transnacionais.

Nos acostumamos a ouvir e dizer que determinadas coisas "só acontecem no Brasil!". Agora, depois desse levantamento, temos motivos de sobra para nos preocuparmos com a ética no Brasil. Cerca de 48% dos entrevistados acreditam que a corrupção e o pagamento de propinas são as piores ameaças que as empresas podem enfrentar nos países emergentes, como é o caso brasileiro, divulga a pesquisa. Ou seja, a falta e a quebra da ética ameaça todos os setores da economia e aspectos da vida e da cultura do País.

Mas o que vem a ser a tal ética? Proveniente do grego, a palavra vem de Ethos, que significa morada humana. O sociólogo Betinho costumava defini-la como um conjunto de princípios e valores que guiam e orientam as relações humanas. Deveria ser a expressão dos valores morais aceitos por todas as nossas classes sociais, porém, como vemos, o desvio da ética é um dos graves e básicos problemas da sociedade no Brasil. É cultural!

Talvez o problema esteja no conceito que fazemos de nós mesmos: de povo pacato, acolhedor e amistoso - que, na verdade, oculta o terrível predador - ao invés do bem comum optamos sempre pelo bem individual. Ao aceitarmos o famoso "jeitinho" brasileiro, acabamos perdendo a noção do que é certo e errado e ser ético não significa conduzir-se eticamente quando for conveniente, mas o tempo todo.

Nosso tipo de desenvolvimento político-econômico tem criado situações práticas contrárias aos princípios éticos: o que temos visto são desigualdades sociais cada vez mais crescentes, injustiças, discriminações, falta de solidariedade, condições de vida cada vez mais indignas do cidadão.

Movidos por uma carga tributária de 37,5% - a maior do mundo -, conseguimos montar um círculo vicioso e doentio: a classe política apóia-se no poder público para fazer valer seus interesses privados e as organizações privadas sonegam impostos para safar-se das injustiças a que julgam estar sendo penalizadas.

Quem perde com isso? Todos nós, brasileiros, a sociedade, os menos favorecidos, os jovens vendo reduzidas suas oportunidades de ingressar no mercado de trabalho, devido ao crescimento pífio da economia.

Felizmente, já há no Brasil uma corrente consciente, clamando pela prática da ética, do "faça a sua parte", "não jogue papel na rua", "conserve o meio ambiente', da responsabilidade social, da ética como principal orientador da consciência humana, aquela que sustenta e dirige suas ações e sua conduta. É preciso que cada cidadão, individualmente, faça valer os princípios éticos na vida cotidiana e no seu comportamento, no seu trabalho.

Como norteador de conduta, a ética faz parte do código humano de convivência e reflete em nossa vida social e profissional, porque a levamos conosco em todas as atividades que executamos. Mais que uma crise política, nosso Pais vive hoje uma crise de identidade ética. Recentemente em discurso proferido no Senado, o senador Jefferson Peres disse a seguinte frase: "Este Congresso que está aqui, desculpem-me a franqueza, é o pior de que já participei. É a pior legislatura da qual já participei. Nunca vi um Congresso tão medíocre. Claro, com uma minoria ilustre, respeitável, a quem cumprimento. Mas uma maioria, infelizmente, tão medíocre, com nível intelectual e moral tão baixo, eu nunca vi."

Faz-se necessária uma mentalidade ética, uma educação voltada aos valores éticos, do agir de acordo com os códigos morais estabelecidos. E o exemplo deve começar pelas lideranças constituídas.

Da mesma forma, a ética se reflete na conduta das empresas e organizações em geral. A empresa necessita desenvolver-se pautada pela conduta ética e seus valores e convicções devem ser parte da cultura de seus colaboradores. A atuação dentro de princípios éticos é uma manifestação da responsabilidade social empresarial, de respeito às diferenças, da devida honestidade nas relações comerciais.

Valer-se do poder econômico, constranger concorrentes, desrespeitar os colaboradores, impor-lhes más condições de trabalho, agredir o meio ambiente, obter vantagens a qualquer custo, corrupção, sonegação, manipulação de balanços, formação de cartéis, entre outros, são vícios que devem ser eliminados de nossa sociedade.

A finalidade da escolha ética é promover o bem comum, com responsabilidade, convicção, virtude e confiança, fatores fundamentais nas relações humanas ou parafraseando Luiz Fernando Veríssimo: "Somos éticos quando fazemos, pelos outros, tudo o que podemos fazer, tudo o que está ao nosso alcance fazer. Ética é isso, é a prática do bem até o limite de nossas forças".



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Autor: Miguel Ruiz é bacharel em Administração de Empresas e Processamento de Dados pela PUC- Campinas, pós-graduado em Sistemas de Informaçãodiretor da MR Consultoria.

Data: 24/10/2006

Link relacionado: http://www.mrconsultoria.com.br
Nota: Permitida a reprodução desde que citada a fonte.
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