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Inflação: Taxa de janeiro é a maior desde 2003

Em janeiro, a inflação no município de São Paulo registrou forte alta – 1,72% - pressionada pelas despesas com Transporte, Educação e Leitura, Saúde e Alimentação. Com esses aumentos, o Índice do Custo de Vida (ICV) calculado pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos apresentou a maior taxa desde janeiro de 2003, ocasião em que atingiu 2,92%. O resultado de então, porém, foi reflexo da grande preocupação com eventuais alterações na política econômica, com a posse de um novo governo em 2003.


As altas apuradas em Transporte (5,05%), Educação e Leitura (4,10%) e Saúde (1,65%) contribuíram conjuntamente com 1,34 ponto percentual (pp) no cálculo da taxa de janeiro. O grupo Alimentação (1,33%), ainda que com taxa um pouco menor, foi responsável, sozinho por 0,37 pp no cálculo da inflação, devido a seu peso (27,80%) na composição das despesas familiares.


A maior alta em janeiro ocorreu no grupo Transporte que, sozinho, contribuiu com 0,79 pp no cálculo da taxa da inflação. Elevações marcantes ocorreram em seus dois subgrupos: 2,70%, no individual e 10,87%, no coletivo. No primeiro caso, foi consequência do forte aumento nos combustíveis (5,23%) - 1,97% na gasolina e 14,62% no álcool. No segundo, foi resultado do extraordinário reajuste de 17,39% na tarifa do ônibus municipal.


A elevação ocorrida na Educação e Leitura reflete os aumentos praticados pelos estabelecimentos de ensino nas mensalidades escolares (5,22%), com taxas que atingiram a 7,29% no ensino fundamental.


Na Saúde, o aumento foi resultado da alta no subgrupo da assistência médica (2,00%), devido às correções aplicadas em seguros e convênios médicos (2,20%). Os medicamentos e produtos farmacêuticos (0,25%) tiveram pouca alteração em seus valores.


Embora o aumento nos preços da Alimentação tenha sido inferior à inflação de janeiro, decorreu de taxas distintas entre seus subgrupos: produtos in natura e semielaborados (1,91%), indústria da alimentação (0,34%) e alimentação fora do domicílio (1,84%).


No caso dos produtos in natura e semielaborados, as principais oscilações de preços foram observadas em:


• Hortaliças (25,20%), com alta generalizada em todos os seus produtos, refletindo as consequências das fortes chuvas ocorridas ao longo de todo o mês de janeiro;


• Grãos (5,30%), resultado de elevação no arroz (7,30%) e queda no feijão (-0,77%);


• Legumes (2,19%), fruto de queda acentuada no tomate (-16,87%) e altas marcantes na vagem (53,68%) e no pepino (36,02%);


• Frutas (1,83%), devido a aumentos acentuados na manga (27,16%) e na laranja (9,66%) e fortes reduções no limão (-21,87%), uva (-20,17%) e mamão (-11,91%).


O subgrupo indústria da alimentação (0,34%) teve pouca alteração em seus valores. Merece destaque a alta no leite longa vida (4,87%) e a queda nos óleos (-3,25%).


O aumento da alimentação fora do domicílio (1,84%), de certa forma era esperado, pois é no mês de janeiro que normalmente os restaurantes e lanchonetes reajustam seus valores. Neste mês as taxas foram: refeição principal (1,90%) e lanches (1,75%).


Nos grupos Vestuário (-0,47%) e Equipamento Doméstico (-0,19%) as retrações ocorreram nos subgrupos: roupas (-0,89%), rouparia (-0,69%), eletrodomésticos (-0,29%), móveis (-0,11%) e calçados (-0,02%).


 


Índices por estrato de renda


 


Além do índice geral, o DIEESE calcula ainda mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas. Em janeiro, as taxas por estrato de renda foram de 1,52%, para o 1º estrato; 1,82%, para o 2º e 1,72%, para o 3º. O estrato 1 corresponde à estrutura de gastos de 1/3 das famílias mais pobres (renda média = R$ 377,49); o estrato 2 contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média = R$ 934,17*) e o 3º estrato reúne aquelas de maior poder aquisitivo (renda média = R$ 2.792,90*).


Apesar de as taxas por estrato apresentarem valores semelhantes, ao se desagregar os grupos destes índices, observa-se diferentes impactos, de acordo com o poder aquisitivo das famílias.


A alta ocorrida no Transporte, que teve origem tanto no reajuste das tarifas do ônibus municipal como nos combustíveis, resultou em contribuição maior no cálculo da taxa do 2º estrato de renda (1,00 pp) em comparação aos demais, pois ficou em 0,86 pp para o estrato 1 e 0,69 pp, para o 3.


A razão deste comportamento encontra-se na forma como as famílias pertencentes ao segundo estrato distribuem seus gastos, destinando proporcionalmente mais aos transportes tanto coletivo como individual, em relação às demais.


Na Alimentação, os impactos das altas de preços foram relativamente semelhantes aos do grupo Transporte, com maior prejuízo para as famílias pertencentes ao 2º estrato de renda, caso em que a contribuição foi de 0,45 pp. Já para o 1º estrato, a Alimentação respondeu por 0,37 pp e para o 3º, por 0,34 pp. A forma como as famílias destinam suas despesas é responsável por estas diferenças, pois no estrato 1, o principal impacto partiu das altas na alimentação no domicílio, enquanto para as de maior rendimento, a responsabilidade recaiu sobre os reajustes praticados pelos restaurantes e lanchonetes, enquanto aquelas com renda intermediária, do estrato 2, foram afetadas pela alta dos alimentos tanto fora quanto dentro do domicílio.


Os impactos nas taxas por estrato de renda resultantes dos reajustes praticados tanto na Saúde como na Educação foram mais elevados para as famílias de maior poder aquisitivo, chegando a responder por 0,70 pp do índice do estrato 3; e com impacto de 0,37 pp, para o estrato 2 e de 0,30 pp, para o 1. Ou seja, à medida que aumenta o poder aquisitivo das famílias, elas despendem mais com educação e saúde, portanto, aumentos nestes grupos levam a um maior prejuízo para aquelas de maior renda.


 


Inflação Acumulada


 


Nos últimos 12 meses - de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010 - o ICV apresentou alta de 5,11%. Quando são considerados os diferentes estratos, as taxas corresponderam a 4,96% para os estratos 1 e 2, e 5,23%, para o 3.


Os aumentos verificados neste período deram-se de maneira bastante heterogênea entre os grupos, subgrupos e itens que compõem o ICV-DIEESE. Para uma inflação da ordem de 5,11%, as maiores altas foram apuradas nos grupos: Despesas Pessoais (9,91%), Transporte (8,51%) e Educação e Leitura (6,11%). Com variações semelhantes ao índice geral, observou-se: Habitação (5,53%), Saúde (4,99%) e Alimentação (3,78%). Taxas pequenas ou negativas foram detectadas nos grupos: Equipamento Doméstico (-2,02%), Vestuário (-1,93%) e Recreação (1,95%).


Nas Despesas Pessoais (9,91%), a taxa elevada deve-se ao grande reajuste no subgrupo fumo e acessórios (21,62%), devido ao aumento no cigarro (22,00%). A alta no Transporte (8,51%) foi mais acentuada no subgrupo coletivo (12,85%) e menos para o individual (6,72%). Na Educação e Leitura


(6,11%) o reajuste maior foi detectado no subgrupo educação (6,20%) e menor para a leitura (4,63%).


As taxas da Habitação (5,53%) ocorreram de forma distinta entre seus subgrupos: locação, impostos e condomínio (6,46%), operação do domicílio (5,65%) e conservação (3,41%). As maiores variações anuais foram observadas nos seguintes itens: gás de botijão (12,29%), eletricidade (9,80%), serviços domésticos (8,73%), locação de imóveis (5,72%) e condomínio (7,63%).


Na Saúde (4,99%), as taxas de seus subgrupos foram relativamente semelhantes, sendo maiores para medicamentos e produtos farmacêuticos (5,90%) e menores para assistência médica (4,78%). Na Alimentação (3,78%), as taxas dos subgrupos dos produtos in natura e semielaborados (2,54%) e da indústria da alimentação (2,99%) foram bem inferiores às praticadas no subgrupo da alimentação fora do domicílio (7,96%). Entre os produtos, taxas variaram de -35,31% para o feijão até 66,45% para o açúcar. Merecem destaque a variação apurada para o sal (20,38%) e a queda no pão francês (-13,02%). Foi detectada deflação nos grupos: Equipamento Doméstico (-2,02%) e Vestuário (-1,93%).


Entre seus subgrupos, as maiores quedas ocorreram em eletrodomésticos (-4,74%), rouparia (-3,80%) e


roupas (-3,44%).


 


Janeiro e seus aumentos


 


Os reajustes nos meses de janeiro são normalmente esperados, dado que inúmeros bens e serviços têm seus preços realinhados no início de cada ano. No entanto, a taxa de 2010 surpreendeu por ser muito acima da anterior, ou seja, 1,03 pp maior que a de igual período de 2009 (0,69%). Com o objetivo de melhor compreender os motivos de tais discrepâncias foram levantadas as variações dos grupos nestes dois meses, e calculadas as diferenças entre elas.


Observa-se que a maior diferença foi no Transporte (5,12 pp), quando a taxa passou de -0,07% para 5,05%; os aumentos ocorridos neste início de ano têm origem tanto no subgrupo do transporte coletivo (10,87%) como no individual (2,70%).


O segundo grupo com maior diferença foi o da Saúde (1,59 pp), consequência, principalmente, dos reajustes praticados em janeiro último, no subgrupo da assistência médica, que passou de 0,08% (janeiro de 2009) para 2,00% (janeiro de 2010).


A Alimentação também foi um grupo com elevações bem superiores neste janeiro de 2010 (1,33%) frente aos reajustes de igual mês em 2009 (0,51%), resultando em uma diferença de 0,82pp.


Ao analisar seus subgrupos, nota-se que a responsabilidade por esta discrepância recaiu sobre os produtos in natura e semielaborados, cujas taxas passaram de 0,15% (janeiro de 2009) para 1,91% (janeiro de 2010), com diferença de 1,76 pp. Os demais subgrupos apresentaram taxas relativamente equivalentes na comparação entre estes meses.


As principais diferenças negativas entre os meses de janeiro de 2010 frente a 2009 foram observadas nos grupos: Educação e Leitura (-1,66 pp), Equipamento Doméstico (-0,87 pp) e Despesas Pessoais (-0,85 pp).

Quando os dados de janeiro de 2010 são desagregados, verifica-se que apenas cinco itens, que representam 29,23% dos gastos familiares, responderam por 1,39 pp no cálculo da inflação deste mês (1,72%). A maior parte destes itens tem comportamento indexador, como verificado nos reajustes das tarifas de ônibus municipais (17,39%), mensalidades escolares (5,22%), seguros e convênios médicos (2,20%) e refeições em restaurantes e lanchonetes (1,84%), que costumam aumentar seus valores apenas uma vez ao ano. Dentre estes itens apenas os combustíveis (5,23%) praticaram altas constantes ao longo dos últimos 12 meses, acumulando variação de 11,07%.





Fonte: Dieese

Autor: Assessoria de Comunicação

Data: 17/2/2010

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